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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

A ENTRADA NA PRÉ ESCOLA – A ADAPTAÇÃO DA CRIANÇA À ROTINA ESCOLAR.


Nestes 13 anos de Educação Infantil, já vi e ouvi de tudo durante o período de adaptação... Já voltei para casa, no primeiro dia de aula, com a canela roxa e duas mordidas (uma em cada braço!) rsrsrs... Já vi mãe se descabelando, barganhando e prometendo inúmeras coisas para que o filho fique na escola, mãe chorando porque a criança ficou bem e nem sentiu a falta dela, mãe que deixa a criança e fica na janela olhando o comportamento da criança, e quando esta vê a mãe na janela e vê que tem mães na classe com seus filhos, começam a chorar porque a mãe não esta ali também...  e por aí vai! 

Com base nestas minhas experiências, resolvi escrever este texto, para ajudar professores e pais a entender o que acontece com as crianças, quando estas começam a frequentar a escola. Tentar mostrar que não é fácil para a criança separar-se de seus pais, mesmo que isto seja por poucas horas, e como estes devem proceder para que a adaptação seja algo positivo e menos traumático para a criança.

Não sou psicóloga, psicopedagoga... sou só uma professora que gosta muito do que faz e que quer o melhor para os seus alunos sempre!

Espero que o texto possa auxiliar pais e professores! O texto é pouco longo, mas vale a pena lê-lo até o final! Quem sabe não é este texto que talvez poderá esclarecer as sua dúvidas! 


A Educação Infantil é uma fase de extrema importância na vida da criança. Tudo o que ela vivenciar nesta etapa servirá de base para todo o restante da vida escolar dela, dependendo de como se deu a sua entrada na escola e de como ocorreu a sua adaptação ao ambiente escolar.

É nesta etapa, o início da fase escolar, que ocorre a primeira ruptura entre os filhos e os pais, e isto, não é fácil para as crianças e nem para os pais. 

Adequar-se a estas mudanças, muitas vezes, causam ansiedade, medo e insegurança em ambas as partes.
 
Quando a criança começa a frequentar a escola, ela vive um momento delicado e tem que lidar de uma só vez, com vários questionamentos que ela pouco entende. Ela precisa aprender a ficar longe, por certo período, do convívio com os pais e a também fazer novas amizades, criando novas relações afetivas, além daquelas estabelecidas com os familiares.

As escolas tornam-se então, um local desconhecido e assustador, pois tudo o que é novo, causa em nós medo e insegurança, o que leva muitas vezes às cenas de birra, choro, manha na porta da escola ou da classe, chegando até mesmo a gerar pânico nas crianças.

O primeiro dia de aula é um momento difícil para crianças e pais. E por isso, ambos precisam de um período de adaptação. As crianças precisam se adaptar a uma situação nova, sairão do ambiente familiar para um ambiente novo e desconhecido, onde irão conviver com pessoas também desconhecidas, que até então, não faziam parte do seu convívio social.  E os  pais  precisam superar a insegurança de ficar longe, por algum tempo, de seus filhos e também sofrem com a ansiedade e o medo da não aceitação dos filhos à nova situação.

O impacto desta separação é fortemente sentido tanto pela criança como pelos pais. A criança se pergunta se todos irão gostar dela, se a professora cuidará bem dela, se a mãe vai voltar e por que a mãe não pode ficar com ela na escola. E os pais ficam preocupados se os filhos ficarão bem sem eles por perto.

Por isso, é importante não esquecer que cada criança tem o seu tempo para se adequar a estas mudanças.

Na grande maioria das escolas de educação infantil, existe o período de adaptação escolar, para minimizar o sofrimento desta primeira separação. Este período é muito importante, pois faz com que a criança vá, paulatinamente, adaptando-se à rotina da sala de aula, estabelecendo vínculo afetivo com a sua professora e fazendo novas amizades. Geralmente, ele é iniciado no ato da matrícula da criança, onde os pais levam a criança para conhecer a escola onde ela irá estudar, ou numa simples visita dias antes do início das aulas. Depois, os pais ou responsáveis, ficam um certo período com a criança na escola. Este tempo vai diminuindo até que ela se sinta segura, tenha apresentado progressivo vínculo afetivo com as outras crianças e professora, conheça o espaço escolar e já se sinta a vontade para brincar e interagir com a professora e demais colegas durante as atividades propostas em sala de aula.

Este período de adaptação varia muito de escola para escola, existem escolas que estabelecem somente a primeira semana de adaptação, outras estendem este tempo para duas semanas. Algumas crianças podem levar mais tempo para se adaptar à rotina escolar, necessitando assim, de um período maior, de três semanas a um mês, para a adaptação escolar, principalmente as mais tímidas e com idades menores.

É importante lembrar que:  JAMAIS SE DEVE ENGANAR A CRIANÇA! Não se pode dizer  à criança que é para ela ficar com a professora, pois a mãe irá ao banheiro ou vai conversar com a diretora da escola; ou mesmo, quando a criança estiver mais calma sair “de mansinho” ou correndo e fechar a porta (acham que é isso é um absurdo? Pois acreditem, acontece!); e tem também aqueles casos que, a mãe deixa a criança chorando e fica escondida espiando na janela, gerando ainda mais insegurança e ansiedade na criança e dificultando o vínculo afetivo entre ela e a professora. E NUNCA dizer que a professora não gosta de criança que chora, que a professora vai dar injeção ou chamar a polícia se a criança não parar de chorar (acham isso uma maluquice??? Pois é, ouvia isso direto!), estas atitudes só servirão para a criança rejeitar ainda mais a situação, e, também ficar com medo e insegurança quando ficar na companhia da professora e dos amigos, sem a presença dos pais.

Os pais devem entender que os filhos passarão algumas horas longe deles, na presença de adultos e crianças que os filhos não conheciam. É fundamental ser claro e seguro nas explicações: eles devem explicar para a criança que ela vai para a escola, onde terá uma professora e amiguinhos novos e que eles ficarão algumas horas longe de casa, mas que no final da aula, eles voltarão para lá! Na minha sala de aula, eu usava sempre o exemplo da bola que bate na parede e volta: dizia que com a mamãe é igual... Ela vai... Mas ela volta!

Há aquelas crianças que se adaptam com mais facilidade, e, nestes casos, não há necessidade da presença dos pais ou responsáveis junto com a criança na escola.

É muito importante ressaltar que, para uma adaptação bem sucedida, a postura dos pais é de grande importância, estes precisam estar SEGUROS da decisão de matricular a criança na escola. Se eles ficarem o tempo todo, perguntando se a criança quer ir a escola, ela irá perceber a insegurança dos pais nesta questão. Lembrem-se: a criança não é capaz de decidir sozinha, ela ainda não tem maturidade para isto!

Outra dica importante é levar em conta e respeitar os sentimentos da criança; não coloque a criança na escola em momentos que ocorreram grandes mudanças familiares como nascimento do irmão, separação dos pais, morte de entes queridos, mudança de casa ou cidade. Nestes momentos, a criança necessita de carinho e atenção e de estar perto dos pais.

Existem crianças que nesta fase, voltam a fazer xixi na cama, chupar o dedo ou chupeta, voltam usar a mamadeira, começam a ter uma fala infantilizada, fazem birra. Mas depois que a criança já se adaptou à rotina escolar, estas atitudes comportamentais desaparecem.

É muito comum, neste início, ocorrer algumas disputas entre a criança e outros coleguinhas de classe por brinquedos, material, folhas, livros, porque até então, tudo era só para ela e agora ela terá que dividir com mais crianças, mas isto também é normal! Muitas  vezes isto pode até gerar um pequeno momento de birra na porta da classe, mesmo naquelas que a adaptação ocorreu com maior facilidade. Outras vezes, a presença da professora substituta na ausência por um ou vários dias da professora, também pode fazer com que a criança não queira mais ir para a escola.   Criança gosta de rotina, é isto que dá segurança a ela! Estabelecer e manter uma rotina dentro e fora da escola, é importante para o bom andamento das atividades, e, o fato da mudança repentina de professora, pode causar nela ansiedade e insegurança, principalmente se isto ocorrer nos primeiros dias de aula.

Nestes casos, saber o que está acontecendo e o diálogo aberto e franco com a escola é primordial! Pois assim, pais, professora e equipe escolar, buscam juntos uma ação conjunta para sanar as possíveis dificuldades e desenvolver um bom trabalho.

Separação é algo que precisa ser entendido. Cada um tem um jeito diferente de lidar com as mudanças. Assim, é importante ainda lembrar que, os pais precisam respeitar a individualidade da criança, não insista para a criança ficar na escola, se ela ainda não está preparada para isto. A escola dever ser um lugar onde seja prazeroso para ela ficar, em que ela se sinta a vontade para brincar, conhecer, relacionar-se, enfim, viver e aprender com alegria. Caso contrário, a aprendizagem não acontece, e ao invés, de construir vínculos e desenvolver-se de maneira ampla e positiva, a criança estará adquirindo traumas e desenvolvendo bloqueios. Por isso, se depois de três semanas, a criança ainda apresentar momentos de choro e birra, demonstrar dificuldade e/ou rejeição para permanecer na escola sem a presença de um adulto da família, talvez seja necessário o adiamento do ingresso dela na escola por mais algum tempo.

Incentive e encoraje a criança a ir para a escola e JAMAIS fale mal da escola,  da professora e dos coleguinhas de classe, pois isso dificultará o estabelecimento do vínculo afetivo e o estreitamento da relação de amizade entre ambos Os pais têm papel fundamental nesta fase, tentando amenizar o medo dos pequenos dando segurança a eles para enfrentar esta nova etapa, demonstrando confiança na escola que escolheram para os filhos frequentarem.

Leve a criança para a escola com entusiasmo e tranquilidade. Assim a criança perceberá que ir para a escola é motivo de felicidade e alegria e não de sofrimento e dor!

A parceria ESCOLA e FAMÍLIA é o que garante o sucesso do processo ensino-aprendizagem! 

Por: Tuca Martins da Silva
cantinhoeducativo@gmail.com


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